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Potencial pode prolongar cronograma de investimentos


BiodieselBR.com - 03 jul 2026 - 15:54

Os atrasos na implementação do cronograma de aumentos no mandato de biodiesel previstos na Lei do Combustível do Futuro deverão levar o Grupo Potencial a adiar, ao menos em parte, os investimentos que estavam previstos para o complexo industrial em Lapa (PR). No valor de R$ 6 bilhões, os planos haviam sido anunciados durante a inauguração da primeira fase da esmagadora de soja do grupo.

Inicialmente o ciclo de investimentos deveria ser completado até 2030, mas agora, segundo uma entrevista concedida ao portal AgFeed pelo vice-presidente do grupo, Carlos Eduardo Hammerschmidt, o projeto poderá ser concluído apenas em 2032.

O cronograma inicial da Potencial levava em consideração que a mistura avançaria seguindo o cronograma de ampliações da mistura obrigatória que consta no texto da lei que previa a adoção do B16 em março deste ano e avanços de um ponto percentual por ano até chegar ao B20 em 2030. A exigência legal de que misturas maiores do que 15% tenham a sua “viabilidade técnica” comprovada, no entanto, fez com que os novos aumentos fossem adiados.

De acordo com o executivo, o setor tinha esperança de que os impactos da guerra entre Irã e Estados Unidos levassem o Planalto a acelerar os planos para elevar o uso de biocombustíveis no mercado brasileiro. Durante um evento em Brasília realizado em abril, o presidente Lula chegou a dar declarações de que o B16 e o E32 poderiam chegar a curto prazo.

No fim das contas, não foi o que aconteceu. O Ministério de Minas e Energia (MME) tem se mantido firme no propósito de realizar os testes exigidos por lei antes de fazer novos avanços, o que, segundo o plano aprovado pelo MME, não deve acontecer antes de 2027. “[O atraso] está deixando desconfortável essa situação com os investidores no Brasil, porque o cronograma da Lei do Combustível do Futuro não está sendo seguido. Inclusive o governo anunciou na Alemanha o aumento do etanol para E32 e o biodiesel para B16. Mas anunciou e não executou no Brasil. Então cria um desconforto para o cenário brasileiro nesse quesito”, afirmou Carlos Eduardo à AgFeed.

A entrevista para a AgFeed, contudo, não deixa claro quais são os projetos que podem ser adiados pela Potencial. Mas não deverá atingir a nova ampliação de sua – já enorme – usina de biodiesel. Atualmente a planta da Potencial em Lapa (PR) pode fabricar até 900 mil m³ por ano, mas deverá chegar a 1,62 milhão de m³ anuais em algum ponto do primeiro trimestre do ano que vem.

Para dar ideia do que isso significa, a segunda maior usina de biodiesel do país – a Olfar de Porangatu (GO) – pode fabricar um pouco menos de 650 mil m³ anuais.

Como as obras na usina já estão em estágio avançado, o executivo avalia que o mais provável é que o projeto seja concluído, mas que essa nova capacidade demore um pouco para entrar, de fato, no mercado.

Carlos Eduardo também garante que o projeto para a construção de uma usina de etanol de milho no valor de R$ 2 bilhões também será mantido. De acordo com o executivo, a empresa já está selecionando os fornecedores e deve começar as obras no próximo ano.

Outros planos da empresa podem estar mais ameaçados de adiamento. É o caso da fase 2 da esmagadora de soja que faria sua capacidade de processamento saltar dos atuais 1,15 para 2,3 milhões de toneladas por ano. Há ainda um projeto no valor de R$ 120 milhões para a construção de uma unidade de biometano que deverá abastecer as caldeiras do complexo de Lapa.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações da AgFeed