'Não vemos cenário de desabastecimento de combustíveis no Brasil', diz ANP
O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Artur Watt Neto, descartou o risco de desabastecimento de combustíveis no Brasil em meio à escalada do preço do petróleo no mercado internacional diante da guerra no Oriente Médio.
O que aconteceu?
Watt disse não observar cenário de desabastecimento de combustíveis. Ele avalia que o cenário favorável se baseia na produção nacional de biocombustíveis e na manutenção das importações. "No médio prazo, ainda que as importações ocorram a um preço um pouco maior, elas vão acontecer", disse em entrevista ao programa Estúdio i, da Globonews.
Agência reguladora atua para impedir eventual falta de produto no Brasil. Watt afirma que, para evitar um cenário de desabastecimento, a ANP atua ao lado da Petrobras e de empresas importadoras e distribuidoras, monitorando os estoques e o volume de importações.
“O mercado está passando por uma turbulência causada pela guerra, mas não vemos um desabastecimento físico, de falta de produtos”,.disse Artur Watt, em entrevista à Globonews
Dependência do diesel importado preocupa a ANP, afirma Watt. O diretor-geral reconhece o gargalo na capacidade de refino do combustível e avalia que a busca por um "estoque estratégico de diesel" é uma opção a ser avaliada. "Isso pode nos ajudar". Ainda assim, ele destaca que a balança superavitária de comércio do petróleo coloca o Brasil "em uma situação menos grave".
“Investimentos em refinarias sempre são bem-vindos para aumentar a sustentabilidade do produto acabado, como temos no mercado de gasolina e de etanol. Ter essa autonomia no diesel e trabalhar com estoques são passos que podem ser buscados”, comentou Artur Watt, em entrevista à Globonews.
Alerta de risco é originado pela recente elevação do preço do petróleo. Desde o início do conflito no Oriente Médio, no dia 28 de fevereiro, o barril do Brent, referência internacional para o combustível, saltou 54,8%, de US$ 72,48 para US$ 112,19, até o fechamento da semana passada. Hoje, a cotação recua mais de 10% e volta a figurar abaixo de US$ 100 após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que vai interromper os ataques contra o Irã por cinco dias.
Fiscalizações de postos e distribuidoras tentam inibir aumento abusivo de preços. Watt destaca que o trabalho da agência reguladora em parceria com o governo federal busca observar os reajustes abusivos nos postos e as recusas de fornecimento de combustíveis. "Já fiscalizamos 154 agentes econômicos, entre postos e distribuidoras de combustíveis", contou.
Diretor-geral reconheceu aumentos abusivos aos consumidores. Durante a ampliação dos esforços desde o início do conflito no Oriente Médio, Watt afirmou que foram identificadas distribuidoras com estoques antigos que aumentaram os valores nas bombas. "Notamos uma elevação brusca, de algumas dezenas de centavos, nos preços de repasse", contou. Ele afirma que as empresas foram autuadas.
Governo atua para segurar o preço do diesel aos consumidores. O Planalto zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível para diminuir o impacto na economia brasileira das oscilações do petróleo. Em seguida, representantes da área econômica do governo iniciaram a ofensiva para que os governos estaduais reduzam o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel importado.