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Negócio

Guerra reacende alerta com petróleo


Bloomberg - 20 jul 2026 - 09:30

Os mercados globais de petróleo escaparam de uma pressão extrema durante a primeira fase da guerra com o Irã, mas a retomada dos combates traz consigo um risco maior de aumento de preços em um mundo onde as reservas de oferta estão perigosamente esgotadas.

Ontem, o contrato contínuo do barril de petróleo do tipo WTI avançava mais de 3%, para US$ 84 o barril, enquanto o petróleo Brent tinha alta de 3,2%, para mais de US$ 90 o barril.

Quando o Estreito de Ormuz foi fechado pela primeira vez em março, muitos previram uma crise energética iminente. Mas a liberação de reservas emergenciais de petróleo, um fluxo discreto de suprimentos de alguns países do Golfo Pérsico e a surpreendente capacidade da China de suprimir as importações deram ao mundo tempo suficiente para evitar os cenários mais sombrios.

Quando os EUA e o Irã assinaram o acordo de paz em junho, o mercado parecia mais bem abastecido do que muitos temiam no início da guerra. O subsequente aumento das exportações do Oriente Médio chegou a gerar excedentes na Ásia, levando alguns países a planejar a reposição de seus estoques, à medida que os preços do petróleo bruto despencavam.

Agora, os operadores alertam para o risco de desabastecimento, especialmente para combustíveis refinados. Se a escalada das hostilidades entre EUA e Irã fechar o Estreito de Ormuz mais uma vez - ao mesmo tempo em que o bombardeio de refinarias pela Ucrânia cria uma crise sem precedentes que reduziu drasticamente as exportações de combustível da Rússia -, o estoque mundial de combustível pode ficar tão esgotado que não conseguirá mais conter os preços.

“Se a situação atual se prolongar e o Estreito de Ormuz for fechado, poderemos enfrentar dificuldades novamente”, disse Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, à Bloomberg.

Sinais de alerta estão surgindo nos mercados de energia. O petróleo bruto voltou a ultrapassar US$ 85 o barril em Londres; caminhoneiros e agricultores americanos estão pagando US$ 5 por galão de diesel; o gás natural ainda está caro demais para que a Europa consiga reabastecer seus tanques de armazenamento adequadamente antes do inverno.

Essas tendências de preços podem frustrar a promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de reduzir o custo de vida e pressionar os formuladores de políticas, do Federal Reserve ao Banco da Inglaterra, a aumentar as taxas de juros para se protegerem de uma maior inflação.

Representantes de grandes empresas de trading, refinarias e fundos de hedge na Europa e na Ásia apontaram para um conjunto de vulnerabilidades cruciais: redução dos estoques de petróleo; grave escassez no fornecimento de combustíveis como gasolina e diesel; e dúvidas sobre se os governos realmente podem recorrer ainda mais às suas reservas de emergência.