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Lucro da 3tentos cai 86,3% no 2º trimestre de 2026, para R$ 14,4 milhões


CNN Brasil - 14 ago 2026 - 09:40

Depois de dobrar o lucro no primeiro trimestre de 2026 e anunciar ampliação de operações, a 3tentos encerrou as finanças de abril a junho com queda do lucro líquido ajustado, que totalizou em R$ 14,4 milhões, uma retração de 86,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

O resultado é pressionado pelo desempenho do biodiesel, pelo atraso na entrada em operação de novas capacidades industriais e por uma mudança no mix de receitas, com maior participação do segmento de grãos, de margens mais baixas, como explica o CEO da empresa, João Marcelo Dumoncel.

Por outro lado, a receita operacional líquida, cresceu 31,9% na comparação anual e alcançou R$ 4,7 bilhões entre abril e junho, com avanço nos segmentos de insumos e grãos. Segundo a companhia, o crescimento mantém uma sequência de 30 trimestres consecutivos de expansão da receita.

O Ebitda ajustado com hedge somou R$ 78,7 milhões no segundo trimestre, retração de 64,3% sobre igual período de 2025. A margem Ebitda ajustada caiu de 6,2% para 1,7%, redução de 4,5 pontos percentuais.

Para Dumoncel, os resultados – especialmente o lucro líquido – confirmam uma tradição histórica de segundos trimestres, em razão de período de entressafra, o que pode ser recuperado nos próximos meses do ano.

Em entrevista à CNN, Dumoncel, atribuiu a piora da rentabilidade no segundo trimestre principalmente ao desempenho do segmento industrial.

Entre os fatores estão o atraso no início da operação da nova indústria de etanol de milho, em Porto Alegre do Norte (MT), no Vale do Araguaia, e na expansão da capacidade das unidades de processamento de soja voltadas à produção de biodiesel. A usina de etanol começou a operar em junho e, portanto, deve ter maior influência sobre os resultados dos próximos trimestres.

Os atrasos significaram menor processamento e faturamento industrial em um momento em que parte da estrutura necessária aos projetos já estava montada, pressionando as margens.

No biodiesel, a companhia também sentiu os efeitos do adiamento da elevação da mistura obrigatória para B16. Segundo Dumoncel, o mercado havia se preparado para o aumento da demanda, inicialmente esperado para março, e a postergação ocorreu em meio a uma expansão da oferta.

“A questão do B16 ainda está pendente e isso deve pesar. Essa situação dificilmente se resolve neste semestre”, afirmou.

Apesar da pressão no curto prazo, Dumoncel disse que a tese de investimento da companhia em biocombustíveis permanece inalterada.

A empresa avalia que o aumento das misturas obrigatórias continua sendo uma tendência estrutural e que a produção doméstica de combustíveis renováveis pode ganhar importância também diante das incertezas no mercado internacional de derivados.

A 3tentos, porém, pretende acompanhar o ritmo dos novos mandatos para ajustar a velocidade dos investimentos no segmento.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, os números mostram um desempenho mais favorável. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 245,3 milhões, alta de 14,5% ante o primeiro semestre de 2025, enquanto a receita operacional líquida avançou 26,1%, para R$ 8,9 bilhões.

O Ebitda ajustado com hedge cresceu 12,8% no semestre e atingiu R$ 472,9 milhões. A margem Ebitda, porém, recuou 0,6 ponto percentual, para 5,3%.

Grãos ganham participação na receita

O crescimento da receita no trimestre foi sustentado principalmente pelos negócios de insumos e grãos. No caso dos grãos, houve aumento da originação em Mato Grosso e recuperação no Rio Grande do Sul.

Além disso, fatores como safra de soja recorde no Brasil, incremento de área de canola no Rio Grande do Sul e ganho de participação de mercado de lojas novas sustentaram o resultado.

O atraso na entrada das novas capacidades industriais também contribuiu para que uma parcela maior dos grãos originados fosse destinada à comercialização, em vez do processamento. Com isso, o segmento respondeu por quase metade da receita da companhia no trimestre.

Essa mudança no mix também teve efeito sobre a rentabilidade, já que a comercialização de grãos trabalha, em geral, com margens inferiores às da indústria. Segundo Dumoncel, trata-se de uma composição conjuntural e não de uma mudança estrutural no perfil de negócios da companhia.

Diante do desempenho do primeiro semestre, a 3tentos também informou que fará uma revisão para baixo de seu guidance operacional, principalmente para os volumes de grãos e da indústria.

Canola ganha espaço no Rio Grande do Sul

A canola também ganhou importância nos negócios da companhia neste ano. A área plantada com a cultura entre produtores atendidos pela 3tentos no Rio Grande do Sul dobrou entre 2025 e 2026, segundo Dumoncel.

O plantio ocorreu principalmente entre maio e junho, enquanto a colheita está prevista para outubro e novembro.

Com isso, a companhia espera que o maior volume da oleaginosa tenha reflexos principalmente nos resultados do quarto trimestre, quando a produção começará a entrar como matéria-prima para a indústria.

A empresa também fomentou o cultivo por meio da TentosCap, incluindo seguro agrícola para as lavouras financiadas.

“Estamos muito otimistas com a canola. É uma realidade”, afirmou Dumoncel. Segundo ele, até o momento não houve intercorrências relevantes nas lavouras, embora a produção continue sujeita às condições climáticas até a colheita.

Expansão para quatro novos estados

Outra frente de crescimento da 3tentos é a expansão geográfica. A companhia inaugurou seis novas lojas neste ano em Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Pará.

A estratégia começa pela comercialização de insumos e, posteriormente, avança para a originação de grãos, inclusive por meio de operações de barter.

Dumoncel afirmou que a companhia vê oportunidades de expansão mesmo diante do momento mais desafiador para parte dos produtores rurais, mas mantém atenção ao risco de crédito.

Ele assegurou que os níveis de inadimplência da carteira permanecem em patamares considerados saudáveis pela empresa.

A expansão industrial e a formação de estoques elevaram a alavancagem da companhia. Dumoncel explicou que o segundo trimestre concentra tradicionalmente maior necessidade de capital para compra de commodities durante a safra, quando as condições de aquisição são consideradas mais atrativas.

A expectativa é de redução da alavancagem durante o segundo semestre, à medida que esses estoques forem utilizados.

Mesmo diante da pressão sobre o resultado trimestral, a companhia mantém a estratégia de crescimento apoiada em biocombustíveis, insumos e na integração com o produtor rural.

Isadora Camargo