Bianchini atinge 44,58% de fração elegível no RenovaBio
A Bianchini elevou para 44,58% a fração elegível da matéria-prima usada na produção de biodiesel —quase 17 pontos percentuais a mais que os 27,45% da certificação anterior. O percentual define quanto da soja processada pela usina atende aos critérios do RenovaBio e, junto com a nota de eficiência energética, determina o teto de geração de Créditos de Descarbonização (CBIOs).
O trabalho de certificação foi conduzido em parceria com a MerX e envolveu uma cadeia com seis intermediários fornecedores de grãos, uma indústria de esmagamento, mais de 100 unidades de recebimento e milhares de produtores espalhados por diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
A complexidade vem justamente do desenho dessa cadeia. Em usinas que compram direto do produtor, a rastreabilidade é relativamente simples. No caso da Bianchini, foi preciso montar um modelo de cadeia de custódia capaz de seguir a soja da lavoura até o biodiesel, consolidando documentos fiscais, informações agrícolas, registros industriais e evidências de rastreabilidade que estavam espalhados por empresas diferentes.
"O principal desafio foi organizar uma cadeia altamente pulverizada e transformar informações que estavam dispersas em uma base única, confiável e auditável", afirma Sarah Silva, gerente de Sustentabilidade e Certificação da MerX. "Quando essa estrutura é construída, a usina consegue ampliar a elegibilidade da matéria-prima e capturar um potencial muito maior de geração de CBIOs."
Além da elaboração da RenovaCalc e do acompanhamento da auditoria, o projeto exigiu o cruzamento de um volume grande de dados agrícolas. Nos três anos cobertos pela certificação, foram avaliados mais de 6,9 milhões de hectares, dos quais cerca de 1,94 milhão foram classificados como elegíveis para o programa.
A estrutura montada tende a reduzir o esforço em certificações futuras, já que a base de informações fica organizada para as próximas rodadas de auditoria.
Para Guilherme Dominici, sócio da MerX, o caso indica uma mudança na forma como o setor encara a certificação. "O potencial de geração de CBIOs não depende apenas da eficiência industrial. Cada vez mais, ele está relacionado à capacidade de organizar toda a cadeia de fornecimento, conectar informações e comprovar a origem da matéria-prima. É esse trabalho que permite transformar a rastreabilidade em geração de valor para as usinas."
O movimento acompanha uma tendência mais ampla no biodiesel: com cadeias de fornecimento cada vez mais pulverizadas, a gestão de dados passa a pesar tanto quanto a operação industrial na hora de definir quantos CBIOs uma usina consegue emitir.
BiodieselBR.com


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